Pequeno Lapso

25 novembro 2008

O hábito não fez o monge, e eu não dei uma continuidade ao meu diário de bordo. Menino mau e desleixado. Como diria meu amigo Pessoa, “ou se tem liberdade ou disciplina”. Chega de libertinagem (talvez chega de saudade ou chega de saudade). Sem muito nheco-nheco, vamos ao que interessa!

Filme: Assista Huckabees, a vida é uma comédia

Disco: Escute Eulogy for Evolution – Ólafur Arnalds

Livro: Leia A vênus das peles – Sacher-Masoch

Não estou pra muitas palavras hoje.

Uma frase pra pensar e guiar:

“Talvez pudéssemos nos expressar melhor se disséssemos tudo sem palavras”

Agora, tenho que mostrar um versinho meu…

Quereres poucos

– Ei poste, vamos dançar – e assim começou o diálogo.

Não dê ouvidos aquela loira na festa que você julga a mais fútil. Alguém tão bonito não pode ter um cérebro interessante.

Errado!!!

Mais uma vez, meu julgamento de longe estava totalmente equivocado, e a sua agressiva beleza não era mais um engodo que a natureza utiliza para a simples multiplicação dos infelizes.

Apesar da boca imunda, falando todo tipo de palavra baixa, de perto sua voz moderada tensionava não apenas os meus tímpanos, mas também minha medida sobre as coisas.

É estranho como eu gosto de estar errado e ver meu lugar-comum ser destruido por uma nova informação. Ter que pensar sobre todo o meu “pequeno-universo” como algo novo e desconhecido.

Conclusões e surpresas rodeadas da horda a nossa volta dançando Bee Gees.

E que sorriso…

Mas nada se comparou aquela dança, em que os corpos, praticamente em simbiose, não variam o salão, e sim um canto escuro da minha solidão.

Não sei se por compaixão ou por interesse, mas na despedida, cada beijo foi ficando mais perto da boca, e talvez por eu não me mostrar ofensivo a ela, fui pego por sua boca beijando a minha.

Não acreditava que pudesse me querer, mas naquele pequeno momento, fui eu o seu querer.

esta

Anúncios

Intróito

18 outubro 2008

Um bom começo não é necessariamente a garantia de uma continuação. Rupturas, fissuras ou até um mau começo (ou meu começo) marcam o ser como ferro em brasa. Senti a necessidade de começar a escrever novamente (como se algum dia eu fosse um grande escritor…), e isto pode ser um mau começo das minha desventuras literárias. Ou apenas rabiscos da minha podre insatisfação continuamente presente…

Não pretendo ter um modelo pronto do que vou postar, mas pretendo sempre trazer algo de interessante. O que tenho lido, o que tenho visto e o que tenho escutado. Talvez eu poste algumas receitas e um pouco dos meus breves rascunhos.

Primeiro disco que recomendo (não foi um Beatles desta vez) é Ethiopiques, vol.04, do Mulatu Astakte, que tem algumas músicas na trilha sonora do filme Broken Flowers. Acho interessante o disco pelos diversos elementos exóticos (pelo menos aos meus ouvidos) e os timbres vintages.

Primeiro livro que recomendo é o Nunca subestime uma mulherzinha, da Fernanda Takai (aquela voz, que não é apenas uma voz), que mostrou seu ótimo rebolado com as letras com contos e crônicas simples, mas não menos interessantes. Lembrei de Hemingway com a sua simplicidade nas imagens/palavras.

E o filme O Passado (que nasceu do livro homônimo, com edição em pt/br da Cosac & Naify), com o senhor Gael Garcia Bernal e uma pequena ponta de Paulo Autran. Um filme argentino/brasileiro, bem interessante sobre o esquecimento/memória e visão sobre o amor (ou a raia em que a lebre louca foge dos cachorros de corrida).

Para terminar o começo, um pedaço dos meus eternos padeceres.

Boneco de pano

Tolo és tu
Que tem as víceras de farrapos
Rotos e escrotos
São teus sentimentos pelo mundo

Serves bem a quem convém
Mas quando sujo e desnudo
Ninguém lhe oferece lágrimas
Para limpar o teu sorriso

Sorriso bobo
De criança sem malícia
Que mal tem dentes
Para abocanhar o mundo

E a tua língua
Que talvez poucos entendam
Tristes balbucios
De muitos gemidos

Pobre boneco de pano
Que de tanto tentar ser humano
Esqueceu quem era e o que é
Teu lugar não é aqui
Vá em busca da tua quimera
Porque monstros, somos todos nós

21/07/07